PAULO ROMÃO: Quem alimenta a fome no Maranhão?

Opinião de Paulo Romão
Sociólogo
Pré-candidato ao senado federal pelo PT

Filas para receber sacola de ossos no estado do Mato Grosso, filas para cestas básicas em várias cidades do Maranhão , filas para receber alguns quilos de peixe e solenidades públicas dos municípios para entrega de cestas básicas e para entregar kits natalinos com 1 frango e 1 litro de refrigerante. Na sociedade do espetáculo, tem rito público até para comunicar a intenção de matar a fome das pessoas .

A caridade estatal está em alta .

Definitivamente o estado brasileiro abandonou por completo a obrigação constitucional de promover políticas de assistência social aos mais vulneráveis e se dedica com muito zelo à distribuição de cestas básicas nas bases eleitorais dos agentes públicos que devem disputar cargos eletivos em 2022.

Em nenhum nível federativo , os governos atuam para consolidar uma rede de proteção social que permita a autonomia produtiva dos que precisam ter uma fonte de renda para garantir a sobrevivência.

Pelo contrário , buscam reforçar o elo personalista de quem está entregando cestas básicas com dinheiro público para garantir votos das pessoas famintas.

Os auxílios e cestas básicas que duram no máximo uma semana não passam nem perto da solução que precisamos gestar para garantir alimentos na mesa do povo maranhense .

Há quem festeje tão somente a entrega de alimentos ao povo sem questionar as razões pelas quais a geladeira está vazia , a renda não circula , a inflação corrói o poder de compra das famílias e as pessoas não conseguem ganhar dinheiro para se sustentar .

A fome desespera pais e mães de famílias maranhenses que se avolumam em filas enormes, para receber das mãos dos pré-candidatos e pré-candidatas às eleições de 2022 , o único alimento que servirá para saciar a fome, por no máximo, uma semana .

Nas fotos das redes sociais dos políticos muita gente com cara de feliz sabendo que vai comer por uns dias .

Isso humilha a dignidade do povo do Maranhão.

Se tem algo que me traz profundo incômodo na administração pública brasileira é o retorno do primeiro-damismo na assistência social , que transforma a política pública de proteção dos vulneráveis em instrumento de captação de votos através da “ caridade “ reforçando a cultura do favor ao político que traz a comida motivado pelo interesse eleitoral .

É preciso ter política pública para reduzir as vulnerabilidades dos estão gritando por comida nas ruas , nas portas dos bancos e supermercados.

É preciso falar sobre planejamento estatal para atenuar os efeitos nocivos do desemprego, sobretudo entre os jovens .

Todas as formas de caridade feitas com dinheiro público tendem a perfumar a pobreza e no caso maranhense temos até um Fundo Maranhense de Combate à Pobreza – FUMACOP, instituído o no âmbito do Poder Executivo Estadual, através da Lei nº 8.205 , de 22 de dezembro de 2004, com o “ objetivo de viabilizar à população maranhense o acesso a níveis dignos de subsistência. “

Há um enorme abismo entre o que a Lei preceitua e o que o governo Flávio Dino ( PSB) tem feito.

Recentemente, durante uma ação do Programa Mais Pescados na periferia de São Luís na base eleitoral de um vereador alinhado aos interesses de Flávio Dino em fazer Brandão governador , as pessoas *também receberam bonés personalizados com o nome do pré-candidato do PSDB , o Brandão* , para que *todos lembrem quem é que está alimentando a fome das pessoas pobres * , que acenam felizes para um pré- candidato que comete abuso de poder político sem que o Ministério Público Eleitoral o incomode.

As provas do abuso de poder político e econômico estão nas redes sociais deles .

Será financeiramente impossível manter este padrão clientelista de combater a fome no Maranhão com base na expectativa de capturar o voto de quem precisa de ajuda pública para comer .

*O povo passa fome e não pode se negar a receber nenhum tipo de ajuda . * Mas a função da administração pública é planejar o desenvolvimento, *é estruturar as cadeias produtivas que viabilizem empregos e geração de renda . *

Se o estado não atuar para reduzir as desigualdades e garantir justiça , ele nem precisa existir .

*Fazer pré-campanha * com a máquina pública mantida pelos suados impostos do povo maranhense , para atrair aliados *promovendo ações de caridade estatal * para fortalecer o nome do candidato escolhido pelo governador Flávio Dino ( PSB) e ainda *distribuir bonés com o nome dele* são elementos que *configuram a prática de abuso de poder político e econômico * para ~turbinar ~ o nome de Brandão ao governo do Maranhão.

Com a palavra , o Ministério Público Eleitoral no Maranhão !

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